Se você tem uma drogaria e sente que paga imposto demais, é bem provável que esteja certo. E o motivo quase sempre é o mesmo: a farmácia é tributada de um jeito diferente de qualquer outro comércio — e poucos contadores tratam isso corretamente.
A maior parte dos medicamentos segue o regime monofásico de PIS e COFINS. Se a sua drogaria não segrega essas receitas, você paga imposto sobre produtos que já foram tributados lá na indústria. É dinheiro jogado fora todo mês.
Escolher o regime tributário certo — e classificar as vendas do jeito certo dentro dele — pode reduzir drasticamente o imposto da sua farmácia, dentro da lei.
Neste artigo você vai entender, sem juridiquês, qual o melhor regime tributário para drogarias, por que o regime monofásico muda tudo e como parar de pagar imposto a mais na sua farmácia.
A MS Contabilidade, especializada em contabilidade consultiva e planejamento tributário, vai ajudar você nesta jornada.
A seguir, confira os assuntos abordados neste artigo:
- Por que a tributação da drogaria é diferente
- O regime monofásico de PIS/COFINS: o coração da economia da farmácia
- Simples Nacional para drogarias: Anexo I e a segregação que muda tudo
- Exemplo prático: quanto uma drogaria economiza segregando corretamente
- Lucro Presumido e Lucro Real: quando compensam para a farmácia
- Recuperação de crédito tributário: dinheiro que a drogaria pode reaver
- E a Reforma Tributária? O que muda para os medicamentos
- Perguntas frequentes sobre o regime tributário para drogarias
- Conheça a MS Contabilidade!
Aviso: as tabelas do Simples (LC 123/2006), as regras do monofásico (Lei 10.147/2000) e o tratamento dos medicamentos na Reforma (LC 214/2025) podem mudar, e a lista oficial de produtos monofásicos é atualizada pela Receita periodicamente. Os números são referência para 2026 — cada drogaria exige análise individual do mix de produtos.
Por que a tributação da drogaria é diferente
A drogaria vende, no mesmo balcão, produtos com tratamentos fiscais completamente diferentes. Sobre boa parte deles incidem dois mecanismos que já cobraram o imposto antes de o produto chegar à sua loja:
- Monofásico de PIS/COFINS: a indústria ou o importador recolhe o PIS e a COFINS de toda a cadeia. A drogaria revende com alíquota zero desses tributos.
- ICMS-ST (substituição tributária): o ICMS de muitos medicamentos também é recolhido antecipadamente pela indústria. A drogaria não paga ICMS de novo na revenda.
O problema é simples: se a sua contabilidade não separa essas vendas, você acaba pagando PIS, COFINS e ICMS sobre produtos que já foram tributados. E isso se repete mês após mês.
O regime monofásico de PIS/COFINS: o coração da economia da farmácia
O regime monofásico está previsto na Lei nº 10.147/2000. Ele concentra a cobrança de PIS e COFINS em uma única etapa da cadeia — a indústria ou o importador — com alíquotas mais altas. Em troca, as etapas seguintes (distribuidor e drogaria) ficam com alíquota zero de PIS/COFINS sobre aqueles produtos.
Vale para qualquer regime: Simples, Lucro Presumido ou Lucro Real. Ou seja, a drogaria não deve pagar PIS/COFINS na revenda de medicamentos monofásicos — independentemente do regime escolhido.
Atenção: nem todo produto da farmácia é monofásico. É preciso conferir o NCM de cada item contra a lista oficial da Receita Federal, que é atualizada periodicamente.
Simples Nacional para drogarias: Anexo I e a segregação que muda tudo
A drogaria no Simples é tributada pelo Anexo I (comércio). Veja as alíquotas por faixa de faturamento:
| Faixa (RBT12) | Alíquota nominal | Parcela a deduzir |
| Até R$ 180.000 | 4,00% | — |
| R$ 180.000,01 a 360.000 | 7,30% | R$ 5.940 |
| R$ 360.000,01 a 720.000 | 9,50% | R$ 13.860 |
| R$ 720.000,01 a 1.800.000 | 10,70% | R$ 22.500 |
| R$ 1.800.000,01 a 3.600.000 | 14,30% | R$ 87.300 |
Mas o segredo não está só na faixa. Está na segregação. No PGDAS-D, as receitas de produtos monofásicos e com ICMS-ST devem ser lançadas de forma segregada, para que o sistema desconsidere o PIS, a COFINS e o ICMS daquela parcela.
Como PIS e COFINS representam cerca de 15,5% da alíquota do Anexo I, e o ICMS cerca de 33,5%, segregar corretamente pode derrubar boa parte do seu DAS. Fundamento: art. 18, §4º-A, da LC nº 123/2006 e Resolução CGSN nº 140/2018.
A maioria das drogarias que paga imposto a mais no Simples tem o mesmo problema: não segrega os produtos monofásicos no PGDAS-D.
Exemplo prático: quanto uma drogaria economiza segregando corretamente
Imagine uma drogaria com faturamento de R$ 1.200.000 por ano (R$ 100 mil/mês), na 4ª faixa do Anexo I, em que 70% das vendas são de produtos monofásicos e com ICMS-ST. Veja a diferença:
| Cenário | Alíquota efetiva | DAS no ano |
| Sem segregar os monofásicos | 8,82% | R$ 105.900 |
| Com segregação correta | 5,80% | R$ 69.576 |
A economia é de cerca de R$ 36.300 por ano — só por classificar as vendas corretamente, sem mudar de regime e sem nenhuma manobra. É a lei sendo aplicada do jeito certo.
O valor exato depende do mix de produtos da sua farmácia. Quanto maior a proporção de medicamentos monofásicos, maior a economia.
Lucro Presumido e Lucro Real: quando compensam para a farmácia
O Simples costuma ser o mais vantajoso para a maioria das drogarias, mas nem sempre. Vale comparar:
Lucro Presumido
Comércio tem presunção de 8% para IRPJ (1,20% sobre a receita) e 12% para CSLL (1,08%). PIS/COFINS continuam zerados nos produtos monofásicos, e o ICMS segue a regra da ST. Pode compensar para drogarias com faturamento elevado e boa margem, ou próximas do teto do Simples.
Lucro Real
Indicado para redes com margem apertada ou prejuízo, já que o IRPJ e a CSLL incidem sobre o lucro efetivo. No não cumulativo de PIS/COFINS, atenção: produtos monofásicos não geram crédito, porque também não há débito na saída.
Em resumo: Simples com segregação correta é o ponto de partida da maioria das drogarias; Presumido e Real entram em cena conforme o porte, a margem e o faturamento. Só a simulação confirma.
Recuperação de crédito tributário: dinheiro que a drogaria pode reaver
Se a sua drogaria pagou PIS e COFINS sobre produtos monofásicos nos últimos anos, esse valor pode ser recuperado. A legislação permite revisar os últimos 5 anos e reaver o que foi pago indevidamente.
Para muitas farmácias, essa recuperação chega a dezenas de milhares de reais. É um dos serviços que mais geram resultado imediato no caixa — e um dos mais ignorados.
E a Reforma Tributária? O que muda para os medicamentos
A Reforma (LC nº 214/2025) traz um tratamento específico para medicamentos na transição, que começa em 2026:
- Alíquota zero de IBS/CBS para medicamentos de listas específicas (doenças raras, oncologia, diabetes, HIV, cardiovasculares e do Programa Farmácia Popular).
- Redução de 60% da alíquota para a maioria dos demais medicamentos registrados na ANVISA.
Com o fim do PIS/COFINS (a partir de 2027), o atual regime monofásico dá lugar a esse novo modelo. Em 2026, ano de teste, o monofásico continua valendo. Por isso, ajustar a classificação agora e acompanhar a transição é essencial para a sua drogaria.
Perguntas frequentes sobre o regime tributário para drogarias
Reunimos as dúvidas mais comuns de donos de drogarias e farmácias sobre tributação.
Qual o melhor regime para drogaria?
Para a maioria, o Simples Nacional com segregação correta dos produtos monofásicos é o mais vantajoso. Drogarias maiores ou com margem específica podem se beneficiar do Lucro Presumido ou Real. Só a simulação confirma.
O que é produto monofásico?
É o produto cujo PIS e COFINS já foram recolhidos pela indústria ou importador. A drogaria revende com alíquota zero desses tributos — mas precisa segregar essa receita no PGDAS-D.
Minha drogaria pode recuperar imposto pago a mais?
Sim. Se você pagou PIS/COFINS sobre produtos monofásicos, é possível revisar os últimos 5 anos e recuperar o valor pago indevidamente.
Todo remédio é monofásico?
Não. É preciso conferir o NCM de cada item contra a lista oficial da Receita Federal, que muda periodicamente.
A Reforma vai acabar com o monofásico?
O monofásico de PIS/COFINS termina com a extinção desses tributos (a partir de 2027). Os medicamentos passam a ter alíquota zero ou redução de 60% de IBS/CBS, conforme a lista.
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A tributação de uma drogaria é cheia de detalhes — monofásico, ICMS-ST, segregação de receita — e cada erro custa dinheiro todo mês. Fazer certo pode reduzir drasticamente o seu imposto e ainda recuperar o que foi pago a mais.
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