Todo mundo repete que a Reforma Tributária vai baixar o imposto dos medicamentos. É verdade — mas essa é só metade da história. A outra metade pode apertar a margem da sua drogaria.
A farmácia não vive só de remédio. Perfumaria, cosméticos, higiene e suplementos têm peso enorme no seu faturamento — e esses produtos vão para a alíquota cheia do novo imposto. Somado ao fim do monofásico e ao split payment, o efeito no caixa pode ser real.
Ignorar isso é arriscado: quem não recalcular preços e mix pode ver a margem encolher sem entender por quê. Quem se antecipar, protege o lucro.
Neste artigo você vai entender, sem juridiquês, se a sua drogaria pode perder margem com a Reforma, onde está o risco e o que fazer agora para proteger o seu resultado.
A MS Contabilidade, especializada em contabilidade consultiva e planejamento tributário, vai ajudar você nesta jornada.
A seguir, confira os assuntos abordados neste artigo:
- A resposta curta: depende do seu mix de produtos
- Medicamentos: o lado bom da Reforma
- Perfumaria, cosméticos e higiene: onde a margem pode apertar
- O fim do monofásico e do ICMS-ST muda o jogo
- Split payment: o aperto no caixa da farmácia
- Preços: por que a sua drogaria vai ter que recalcular
- O que fazer agora para proteger a margem
- Perguntas frequentes sobre a Reforma e a margem da farmácia
- Conheça a MS Contabilidade!
Aviso: a Reforma está em regulamentação ativa (LC 214/2025) e as alíquotas padrão ainda não foram fixadas. Estados já começaram a encerrar o ICMS-ST de perfumaria e higiene. Os percentuais deste artigo são estimativas e podem mudar — cada farmácia exige análise do seu mix.
A resposta curta: depende do seu mix de produtos
Não existe um efeito único para todas as farmácias. A Reforma trata cada grupo de produto de um jeito. Por isso, o impacto na sua margem depende de quanto você vende de cada categoria.
De forma resumida:
| Grupo de produto | Tratamento na Reforma | Efeito provável na margem |
| Medicamentos (maioria) | Redução de 60% do IBS/CBS | Tende a melhorar |
| Medicamentos de listas específicas | Alíquota zero | Melhora |
| Perfumaria, cosméticos, higiene | Alíquota cheia (~26% a 28%) | Pode apertar |
| Suplementos e correlatos | Em geral, alíquota cheia | Pode apertar |
Ou seja: se a sua farmácia vende muito item de não-medicamento, a atenção precisa ser redobrada.
Medicamentos: o lado bom da Reforma
Aqui a notícia é boa. A LC nº 214/2025 concede redução de 60% na alíquota de IBS/CBS para a maioria dos medicamentos e alíquota zero para listas específicas (oncologia, diabetes, HIV, doenças raras e Programa Farmácia Popular).
Na parcela de medicamentos, a tendência é de carga menor. O problema é que a farmácia não vende só isso.
Perfumaria, cosméticos e higiene: onde a margem pode apertar
Esses produtos são de alto giro na drogaria — e não têm benefício na Reforma. Vão para a alíquota cheia, estimada entre 26% e 28%.
Hoje, boa parte desses itens é monofásica de PIS/COFINS e tem ICMS-ST: o imposto já vem concentrado na indústria e a farmácia revende sem nova cobrança relevante. Com a Reforma, essa lógica muda — e a etapa do varejo passa a ser tributada.
Se metade das suas vendas é de não-medicamentos, metade do seu faturamento entra na alíquota cheia do novo imposto.
O fim do monofásico e do ICMS-ST muda o jogo
Dois pilares que hoje protegem a margem da farmácia vão acabar:
- Fim do monofásico de PIS/COFINS: os produtos deixam de ter a carga concentrada na indústria; o IBS/CBS passa a incidir de forma não cumulativa em cada etapa.
- Fim do ICMS-ST: estados já começaram a encerrar a substituição tributária de perfumaria e higiene, o que exige recalcular preços e créditos.
Com a não cumulatividade plena, a farmácia passa a se creditar nas compras e a debitar nas vendas. Para produtos de alíquota cheia, isso significa imposto sobre a sua margem de revenda — algo que hoje, no monofásico, não acontece.
Split payment: o aperto no caixa da farmácia
A Reforma traz o split payment: o imposto é separado e recolhido automaticamente no momento em que o pagamento é liquidado. Na prática, o valor do tributo sai na hora da venda.
Para a farmácia, isso muda o fôlego de caixa. Aquele dinheiro do imposto que antes circulava no fluxo até a data de recolhimento deixa de ficar disponível. Sem planejamento, o capital de giro sente.
Preços: por que a sua drogaria vai ter que recalcular
Com o fim da ST e a chegada do IBS/CBS destacado por fora, a formação de preço muda. Manter a mesma tabela de antes pode significar vender no prejuízo em alguns itens — ou ficar caro e perder venda em outros.
Reprecificar com base na nova tributação, categoria por categoria, deixa de ser opção e vira necessidade. É o que separa a farmácia que protege a margem da que a perde sem perceber.
O que fazer agora para proteger a margem
A boa notícia: dá para se antecipar. O que a sua drogaria deve fazer:
- Mapear o mix: saber quanto vende de medicamento x não-medicamento.
- Simular a nova carga: por categoria, com as regras da Reforma.
- Revisar a precificação: recalcular preços com o IBS/CBS e o fim da ST.
- Atualizar o sistema: para emitir a nota no novo modelo e conciliar o split payment.
- Rever o regime tributário: Simples, Presumido ou Real podem reagir de formas diferentes à Reforma.
Perguntas frequentes sobre a Reforma e a margem da farmácia
Reunimos as dúvidas mais comuns de donos de farmácias sobre o impacto da Reforma na margem.
A Reforma vai aumentar ou diminuir o imposto da farmácia?
Depende do mix. Nos medicamentos, tende a cair. Em perfumaria, cosméticos e higiene, pode subir. O resultado líquido varia de farmácia para farmácia.
Por que os não-medicamentos ficam mais caros de tributar?
Porque vão para a alíquota cheia e perdem o monofásico e o ICMS-ST, que hoje concentram o imposto na indústria.
O que é o split payment?
É o recolhimento automático do imposto no momento do pagamento da venda. Ele afeta o capital de giro da farmácia.
Preciso mudar meus preços?
Muito provavelmente sim. Com o fim da ST e o novo imposto, a formação de preço muda por categoria.
Quando isso começa a valer?
A transição começa em 2026 e vai até 2033, mas alguns estados já encerraram a ST de perfumaria e higiene. O momento de planejar é agora.
Conheça a MS Contabilidade!
A Reforma não é só sobre pagar menos imposto nos remédios — é sobre proteger a margem de toda a sua drogaria. Quem entender o próprio mix e se antecipar vai atravessar a transição sem sustos.
A MS Contabilidade é a contabilidade consultiva especializada em drogarias, farmácias e distribuidoras de medicamentos. Analisamos o seu mix, simulamos a nova carga por categoria e ajudamos a reprecificar e a escolher o melhor regime — para a sua margem ficar protegida na Reforma.
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