

A Reforma Tributária de 2025 é uma das maiores mudanças fiscais da história do Brasil e vai impactar diretamente as pequenas empresas. Muitos empreendedores que hoje estão no Simples Nacional têm dúvidas: será que a carga tributária vai aumentar? O Simples vai acabar? O que muda na prática para quem já é optante? Neste artigo, você vai entender de forma clara e objetiva o que realmente muda para as pequenas empresas e como se preparar para não perder competitividade.
O Simples Nacional continua existindo, mas passa a ter duas formas distintas de apuração: o chamado Simples Puro e o Simples Híbrido. Essa diferença pode parecer pequena, mas vai determinar se a empresa vai ou não aproveitar créditos tributários de IBS e CBS, além de influenciar diretamente na sua relação com fornecedores e clientes.
O que é o Simples Puro?
No modelo tradicional, chamado agora de Simples Puro, todas as apurações continuam sendo feitas dentro da guia única, o DAS. Isso significa que a empresa não precisará se preocupar em apurar IBS e CBS separadamente. A grande questão é que, nesse modelo, a empresa não gera créditos relevantes para os seus clientes.
Na prática, isso pode prejudicar pequenos negócios que vendem para empresas maiores, porque essas preferirão fornecedores que gerem créditos de IBS e CBS. Assim, o Simples Puro pode ser vantajoso para quem vende direto ao consumidor final, mas pode ser um obstáculo para quem atua como fornecedor em cadeias maiores.

O que é o Simples Híbrido?
O Simples Híbrido surge como uma alternativa para resolver esse problema. Nele, o IRPJ e a CSLL continuam sendo recolhidos pelo Simples, mas o IBS e a CBS passam a ser apurados fora do regime. Isso significa que a empresa poderá fornecer e aproveitar créditos de IBS e CBS, tornando-se mais competitiva em determinados mercados.
Por outro lado, o Simples Híbrido aumenta a complexidade administrativa e pode exigir maior organização contábil e tecnológica. Muitas micro e pequenas empresas vão precisar investir em sistemas de gestão para lidar com esse novo formato.
Vai aumentar a carga tributária para pequenas empresas?
Essa é a dúvida que mais assusta empreendedores. A resposta é: depende. Para empresas que atendem consumidores finais, o impacto tende a ser menor, principalmente no Simples Puro. Já para empresas prestadoras de serviços ou que atuam em cadeias produtivas, pode haver aumento de carga tributária no Simples Híbrido, justamente por ter de apurar IBS e CBS separadamente.
Além disso, atividades hoje beneficiadas pelo Fator R, como serviços de saúde, tecnologia e consultoria, precisam ficar atentas, porque as regras de transição ainda estão sendo detalhadas e podem afetar diretamente a alíquota final.

Cronograma de mudanças para o Simples Nacional
O cronograma da Reforma prevê que em 2026 as empresas já terão de destacar IBS e CBS nas notas fiscais, ainda que com alíquota simbólica. Isso significa que pequenas empresas também precisarão atualizar seus sistemas desde cedo. A partir de 2027, as mudanças ganham força, com a extinção de PIS e Cofins e entrada plena da CBS. Entre 2029 e 2032, ocorre a transição do ICMS e ISS para o IBS, e em 2033 o novo modelo estará consolidado.
Ou seja, as mudanças não são imediatas, mas o momento de se preparar é agora. Quem deixar para a última hora pode perder clientes e competitividade.
Como pequenas empresas podem se preparar?
- Converse com seu contador consultivo – é ele quem vai orientar sobre a melhor opção entre Simples Puro e Simples Híbrido.
- Invista em tecnologia – sistemas de emissão de notas fiscais e gestão financeira serão indispensáveis.
- Revise seus contratos e preços – veja se será necessário repassar custos ou ajustar margens.
- Simule cenários de carga tributária – antecipe quanto vai pagar em cada modelo para tomar decisões com clareza.
- Considere reorganizar sua estrutura – em alguns casos, pode ser vantajoso migrar para outro regime tributário ou até abrir uma holding para dividir atividades.
Conclusão: oportunidade ou risco para as pequenas empresas?
A Reforma Tributária de 2025 traz incertezas, mas também abre oportunidades. O Simples Nacional não acaba, mas se transforma. O empreendedor que entender as diferenças entre o Simples Puro e o Simples Híbrido, investir em planejamento tributário e tecnologia, e contar com um contador consultivo, poderá sair na frente.
Para muitos, a reforma será um risco, mas para quem se preparar, ela pode ser o trampolim para crescer e conquistar novos mercados. A escolha é sua: esperar ser surpreendido ou agir desde já para transformar a Reforma Tributária em vantagem competitiva.