
A tão esperada Reforma Tributária do Consumo já é uma realidade e promete ser a maior mudança no sistema de impostos do Brasil nas últimas décadas. Muitos empresários ainda estão perdidos em meio a tantas informações técnicas, mas a verdade é que quem se preparar desde já terá vantagens competitivas significativas. A transição para o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) não é apenas uma questão de mudar a forma como os tributos são recolhidos, mas sim de transformar a lógica de funcionamento das empresas, exigindo uma nova postura de gestão e, principalmente, de consultoria contábil. É aqui que entra o verdadeiro kit de sobrevivência para empresários que não querem apenas sobreviver, mas prosperar nesse novo cenário.
Durante anos, a contabilidade foi vista por muitos empresários apenas como uma obrigação burocrática, um mal necessário para manter a empresa em dia com o fisco. Com a reforma, essa mentalidade vai precisar mudar. O contador deixa de ser apenas o responsável por entregar guias e relatórios e passa a assumir um papel estratégico, sendo o braço direito do empresário na tomada de decisões. Afinal, a forma como as notas fiscais serão destacadas, os créditos aproveitados e os débitos apurados impactará diretamente no caixa, nos contratos, nos preços e até no planejamento de médio e longo prazo da empresa.

Um dos pontos mais importantes da reforma é a mudança da lógica de tributação. Hoje, muitos impostos e contribuições são cumulativos ou possuem regras complexas de não cumulatividade, o que gera distorções e dúvidas constantes. Com o IBS e a CBS, a ideia é que o sistema seja semelhante ao IVA (Imposto sobre Valor Agregado), utilizado em outros países. Isso significa que cada compra gera um crédito e cada venda gera um débito, trazendo mais transparência, mas também exigindo um controle muito mais estratégico das operações. Empresas que não tiverem um bom sistema de gestão fiscal poderão perder dinheiro sem nem perceber, simplesmente por não saberem aproveitar os créditos disponíveis ou por não entenderem a correta aplicação da alíquota.
Falando em alíquotas, outro ponto que gera expectativa e preocupação é o percentual a ser aplicado. Já se fala em algo próximo de 27% a 28% de carga total, somando IBS e CBS, o que assusta muitos empresários. Mas o que poucos sabem é que esse percentual não será fixo e uniforme em todo o país. A CBS terá sua alíquota definida nacionalmente, mas o IBS dependerá da decisão de estados e municípios, que poderão aumentar ou reduzir sua parte. Isso significa que empresas que atuam em diferentes regiões do Brasil terão que estar atentas às variações locais, o que reforça ainda mais a necessidade de planejamento tributário especializado.

Outro ponto sensível da reforma é o impacto no Simples Nacional. Muitos empresários acreditam que, por estarem no Simples, não serão afetados. Grande engano. Haverá dois modelos distintos: o Simples Puro, em que toda a apuração continua dentro do DAS, mas sem direito a créditos relevantes, e o Simples Híbrido, em que o IRPJ e a CSLL permanecem no Simples, mas o IBS e a CBS serão apurados separadamente, permitindo o aproveitamento e o fornecimento de créditos. Essa escolha pode fazer toda a diferença na competitividade de uma empresa, especialmente aquelas que vendem para outras empresas maiores que buscam crédito tributário. O empresário que não avaliar corretamente essa decisão poderá perder clientes ou margens de lucro, enquanto aquele que escolher estrategicamente poderá se destacar no mercado.
Além das regras técnicas, o cronograma da reforma também merece atenção. Em 2026, já teremos as primeiras mudanças, com a obrigatoriedade de destacar IBS e CBS nas notas fiscais, ainda que com uma alíquota simbólica de 1%. Isso servirá como preparação para o mercado. Em 2027, o PIS e a COFINS deixam de existir, sendo substituídos pela CBS em sua forma plena, enquanto o IBS começa a ganhar corpo de maneira gradual. Entre 2029 e 2032, haverá a transição completa do ICMS e do ISS para o IBS, até que, em 2033, tenhamos finalmente os novos tributos plenamente em vigor, extinguindo os antigos de forma definitiva. É uma mudança longa e complexa, mas que exige atenção imediata para evitar surpresas no futuro.

E aqui está o ponto central do kit de sobrevivência: o empresário precisa compreender que não se trata apenas de uma mudança contábil, mas de uma transformação no modelo de negócios. Preços precisarão ser revistos, contratos renegociados, margens recalculadas, fornecedores reavaliados e até estratégias de expansão repensadas. Isso porque a forma de tributação impactará diretamente no fluxo de caixa e no capital de giro. Empresas que não se prepararem podem enfrentar dificuldades sérias para honrar compromissos, enquanto aquelas que se anteciparem poderão aproveitar oportunidades, inclusive ganhando mercado de concorrentes desatentos.
Nesse contexto, o contador consultivo ganha um papel de protagonismo. Ele será responsável por simular cenários, avaliar impactos e orientar empresários sobre as melhores decisões. Mais do que nunca, será preciso abandonar a postura de “apagador de incêndios” e assumir a de estrategista. Contadores que se posicionarem dessa forma terão condições de cobrar honorários mais altos, porque estarão entregando valor real e mensurável para seus clientes. Por outro lado, aqueles que permanecerem presos apenas à burocracia podem perder relevância e até clientes, já que a tecnologia tende a automatizar cada vez mais as obrigações acessórias.
Outro ponto essencial para o empresário entender é que essa reforma não é apenas uma obrigação, mas também uma oportunidade. Países que adotaram modelos semelhantes tiveram uma fase inicial de turbulência, mas depois colheram os frutos de um sistema mais transparente e previsível. Isso pode atrair investimentos, reduzir a guerra fiscal entre estados e melhorar o ambiente de negócios no Brasil. Mas isso só valerá para quem se preparar desde já. Os próximos anos serão de ajustes, testes e muitos erros por parte daqueles que deixarem para a última hora. Quem começar antes sairá na frente.
O kit de sobrevivência da Reforma Tributária 2025 pode ser resumido em alguns pontos-chave: informação, planejamento e ação. Informação porque é preciso entender profundamente como funcionará o IBS e a CBS, suas alíquotas, créditos e débitos. Planejamento porque cada empresa precisará simular cenários, avaliar custos, margens e impactos financeiros. E ação porque não adianta esperar até 2027 ou 2029 para começar a se mexer. As mudanças já começam em 2026, e quem estiver preparado terá muito mais tranquilidade nesse processo.
O empresário que deseja proteger sua empresa precisa agir agora. É hora de buscar assessoria especializada, conversar com seu contador, participar de treinamentos e investir em tecnologia de gestão. Cada nota fiscal emitida, cada compra realizada e cada contrato assinado precisarão ser analisados sob a ótica da nova tributação. Esse é o verdadeiro diferencial competitivo que separará os sobreviventes dos que podem ficar pelo caminho.
No fim das contas, a Reforma Tributária 2025 é inevitável. O governo já aprovou, o cronograma já está definido e as mudanças vão acontecer. A pergunta que cada empresário deve se fazer é: vou esperar ser surpreendido e correr riscos desnecessários ou vou me antecipar e usar esse momento a meu favor? A resposta fará toda a diferença no futuro dos negócios no Brasil. Se você é empresário, entenda: a hora de agir é agora. E se você é contador, saiba que esse é o momento de assumir o protagonismo e mostrar o valor da contabilidade consultiva. O kit de sobrevivência está à disposição, basta escolher usá-lo.