
A Reforma Tributária de 2025 está trazendo grandes mudanças para o sistema de arrecadação no Brasil. Uma das novidades mais comentadas é o Split Payment, um mecanismo que promete revolucionar a forma como os impostos serão recolhidos. Empresários, contadores e gestores financeiros precisam entender desde já como ele vai funcionar, quando começa e quais serão os impactos práticos no dia a dia das empresas.
Se você ainda não sabe exatamente o que é o Split Payment e como ele se encaixa na Reforma Tributária, este artigo é o seu guia definitivo.
O que é o Split Payment?
O termo Split Payment significa literalmente “pagamento dividido”. Na prática, trata-se de um sistema em que, no momento em que o cliente realiza o pagamento de uma compra, o valor do imposto é separado automaticamente e enviado diretamente para os cofres públicos, enquanto o restante é repassado ao fornecedor.
Esse modelo já é adotado em alguns países da Europa e tem como principal objetivo reduzir a sonegação fiscal e aumentar a eficiência da arrecadação.
Por que o Split Payment foi incluído na Reforma Tributária?
Hoje, no sistema atual, a empresa recebe o valor integral da venda e depois é responsável por recolher os tributos devidos. Isso abre espaço para atrasos, inadimplência e até sonegação.
Com o Split Payment, o governo garante que o imposto será recolhido no exato momento da transação, diminuindo riscos de não pagamento e aumentando a previsibilidade da arrecadação.
Para o empresário, isso significa menos liberdade de gestão sobre o caixa, mas também mais segurança de que não haverá surpresas com autuações por falhas no recolhimento.
Quando o Split Payment começa a valer?
De acordo com o cronograma da Reforma Tributária, o Split Payment começa a ser implementado em 2026, de forma gradual.
- 2026: início dos testes com alíquotas simbólicas (1%) e obrigatoriedade de destacar IBS e CBS nas notas fiscais.
- 2027 em diante: aplicação progressiva do Split Payment em transações eletrônicas.
- 2033: consolidação total do modelo, já integrado ao IBS e à CBS.
Isso significa que ainda haverá tempo para adaptação, mas quanto antes sua empresa se preparar, menor será o impacto no futuro.

Como o Split Payment vai funcionar na prática?
Imagine que um cliente compre um produto de R$ 1.000,00.
No momento do pagamento eletrônico, o sistema identifica a nota fiscal vinculada e já separa o valor referente ao imposto.
- R$ 270,00 (imposto presumido – IBS e CBS) → vai direto para o governo.
- R$ 730,00 (líquido da operação) → vai para a conta da empresa.
O empresário não precisará mais calcular e recolher esse tributo depois. O sistema fará isso automaticamente.
Quais os impactos para as empresas?
O Split Payment vai impactar diretamente em três pontos principais:
- Fluxo de Caixa
O empresário não terá mais o imposto entrando no caixa para depois recolher. Isso exige planejamento financeiro mais rigoroso para não comprometer capital de giro. - Gestão Fiscal
A burocracia para apuração tende a diminuir, mas será necessário investir em tecnologia e integração de sistemas. - Transparência e Conformidade
Empresas terão menos risco de autuação por falhas no recolhimento, mas também perderão margem de manobra sobre prazos de pagamento de tributos.
Split Payment: vantagens e desvantagens
Vantagens:
- Redução da sonegação.
- Maior transparência.
- Segurança jurídica para empresas.
- Simplificação do processo de recolhimento.
Desvantagens:
- Impacto direto no fluxo de caixa.
- Menor flexibilidade para gestão financeira.
- Necessidade de investimento em sistemas de gestão integrados.

Como sua empresa pode se preparar para o Split Payment?
- Revisar contratos com clientes e fornecedores para prever os efeitos do novo modelo.
- Investir em sistemas de gestão e automação contábil para acompanhar os recolhimentos em tempo real.
- Projetar cenários de fluxo de caixa já considerando a retenção automática de impostos.
- Buscar apoio de um contador consultivo, especializado em Reforma Tributária, para antecipar riscos e oportunidades.
Conclusão: o Split Payment é ameaça ou oportunidade?
O Split Payment é uma das grandes inovações da Reforma Tributária de 2025 e vai mudar radicalmente a forma como as empresas lidam com impostos. Embora traga desafios para o fluxo de caixa, também representa maior segurança, transparência e simplificação no longo prazo.
O empresário que enxergar o Split Payment apenas como um problema vai sofrer mais. Já aquele que se preparar, reorganizar processos e usar a tecnologia a seu favor, poderá atravessar essa transição com vantagem competitiva.
A pergunta que fica é: sua empresa está pronta para lidar com o futuro da arrecadação no Brasil?
